A estreia da nova turnê de Benson Boone, American Heart World Tour, confirmou o que os fãs já sabiam: o cantor está mais do que pronto para dominar os grandes palcos. Em um show projetado especialmente para arenas, Boone encantou o público e impressionou a crítica. Diversos veículos de mídia destacaram a performance poderosa e o carisma do artista. O Benson Boone Brasil reuniu abaixo algumas das principais reviews publicadas.
The Seattle Times
Pela primeira vez em sua jovem e meteórica carreira, era o nome de Benson Boone que aparecia em destaque nos letreiros da arena. Era seu rosto com bigode estampado nas camisetas dos fãs que lotaram a Xcel Energy Arena em St. Paul, Minnesota, na sexta-feira, quando o recém-consagrado astro do pop deu início à sua primeira turnê solo em arenas.
Há pouco mais de um ano, o cantor de Monroe, responsável por um dos maiores sucessos de 2024, “Beautiful Things”, se apresentava para 1.800 pessoas no Showbox SoDo, em meio à sua ascensão.
Na sexta-feira, o fenômeno de 23 anos lotou com facilidade uma arena para 18 mil pessoas às margens do Rio Mississippi ao iniciar sua turnê esgotada por arenas. (Para os moradores de Seattle, encarem esta resenha como um aperitivo do show que os espera quando Boone voltar ao seu estado natal para tocar na Climate Pledge Arena em 5 de outubro.)
Havia bastante expectativa na noite de estreia, enquanto os jovens fãs do galã de aparência saudável (e não apenas adolescentes histéricas) preenchiam o local. Mas ao ver Boone dominar o imenso palco com charme e desenvoltura como um veterano, não havia dúvidas de que o garoto de Washington estava pronto para o momento — iluminando a arena como os relâmpagos noturnos que dançavam pelo céu da pradaria logo após o encerramento do show de aproximadamente 100 minutos.
Não demorou para que o ex-participante do “American Idol” — agora indicado ao Grammy de artista revelação — soltasse seu falsete à la Freddie Mercury após entrar no palco em meio a fogos de artifício e começar com “I Wanna Be the One You Call”, de seu segundo álbum, American Heart. Com seu macacão característico, o astro soltou seus vocais potentes com força desde o início, saltando e deslizando pela longa passarela com um palco auxiliar em forma de coração na ponta durante “Wanted Man” e um de seus sucessos mais recentes, “Sorry I’m Here for Someone Else”.
Nesta última, Boone fez um de seus saltos mortais já característicos, se lançando de uma plataforma sob gritos e suspiros audíveis da plateia — que incluía desde crianças do ensino fundamental até seus pais igualmente empolgados. Com tantas famílias presentes numa noite de verão no Meio-Oeste, foi aquele raro show em arena onde as vendas de sorvete talvez tenham rivalizado com as de cerveja nas lanchonetes — contribuindo com a estética “tudo americano” do novo álbum de Boone e da turnê mundial American Heart World Tour.
Performer fluido e magnético, Boone aprimorou seu controle corporal com os saltos mortais durante seu tempo na equipe de saltos ornamentais da Monroe High School, mas na sexta-feira ele percorreu o palco como um corredor de longa distância, indo e voltando pela passarela. Apesar das acrobacias em cena, foram suas “acrobacias vocais” que mais impressionaram. Em pouco tempo, Boone se consolidou como um dos vocalistas masculinos mais formidáveis do pop — como se fosse um Adele com um toque mais masculino, pronto para se jogar no rock com um estilo glamouroso.
De forma impressionante, sua voz potente nunca vacilou, mesmo com toda a fisicalidade — inclusive quando foi suspenso num imenso lustre azul que o levou sobre o público durante a fantasiosa e quase carrossel-pop “Mystical Magical”. Boone girava seus falsetes em espiral como chiclete no dedo, enquanto o suor pingava visivelmente sobre a multidão boquiaberta. Mérito para Boone e sua equipe de produção por realizarem esse clássico truque de shows em arenas — o pop star voador — de forma ainda fresca e divertida.
No fundo, Boone é um showman de alma antiga com uma paleta clássica de pop/rock, adaptada ao público contemporâneo, num momento em que o pop voltou a valorizar instrumentos orgânicos. Sua banda enxuta deu conta do recado com força (e quase nenhum vocal de apoio), sem roubar o protagonismo do cantor de voz poderosa, que distribui seus crescendos monumentais com a leveza de quem levanta pesos leves.
Depois de ser levado pelo lustre até o palco B para uma eletrizante “Pretty Slowly”, ele apresentou o que chamou de “momento mais especial” da noite, preparando o terreno para sua melhor balada, “In the Stars” — um sucesso modesto em 2022, antes de sua carreira realmente decolar com o álbum Fireworks & Rollerblades dois anos depois.
Com uma referência lírica à Woods Creek Road, de Monroe, a música dedicada à sua falecida bisavó já carregava forte carga emocional no Showbox SoDo no ano anterior, quando a família de Boone estava presente. Mas ele levou a música a novos picos dramáticos diante da arena lotada, sendo erguido por uma plataforma em direção ao céu (ou pelo menos ao teto coberto de bandeiras de hóquei), num clímax emocional que transformou a dor em hino.
E não foi a única menção que os habitantes de Washington poderiam reconhecer: uma referência à Old Owen Road surgiu durante outra balada ao piano igualmente grandiosa e sentimental, “Take Me Home”, que eventualmente explodiu em trovões de rock ‘n’ roll.
Boone se ausentou brevemente, voltando com um novo macacão azul para apresentar duas faixas novas com um toque retrô, começando com “Young American Heart”. Papeis picados vermelhos e brancos caíram do teto durante a canção climática, que evocou Bruce Springsteen (com um toque de The Killers), antes de “Mr Electric Blue” mostrar que o bigode de Boone não foi a única coisa que ele trouxe dos anos 70.
Essa música divertida e animada, com uma seção de piano empolgante, parecia uma faixa disco de Elton John, com Boone finalizando a canção em cima do piano, abrindo dramaticamente o colete sob gritos agudos que fariam qualquer boy band sonhar.
Com seu novo álbum e a turnê American Heart World Tour, Boone quer provar que tem muito mais a oferecer além de “Beautiful Things” — a música mais reproduzida de 2024, que ainda permanece nas paradas. Ele provou isso com sobra na estreia da turnê, embora nem as acrobacias nem os vocais arrebatadores de “Love of Mine”, que subiu de zero a 30 mil pés em um milissegundo, tenham alcançado o mesmo impacto de “Beautiful Things”.
Poucas músicas depois de uma tocante versão de “Sparks”, do Coldplay (que parece ocupar um espaço rotativo para covers no repertório), e de uma quase açucarada “Momma Song”, Boone encerrou a parte principal do show com seu maior sucesso. Milhares de pelos no pescoço se arrepiaram no instante em que o riff de guitarra começou a pulsar na explosiva “Beautiful Things” — um golpe de pop-rock certeiro como um nocaute, ainda que Boone tenha retornado para finalizar com a igualmente pesada “Cry”.
Mesmo que “Beautiful Things” continue sendo a música que define sua carreira, o presente e o futuro são promissores para este astro pop da nova geração com alma antiga.
Fonte: The Seattle Times
USA Today
Claro que tudo começou com um salto mortal.
E com pirotecnia. E uma névoa de gelo seco. E luzes frenéticas.
No centro de tudo estava Benson Boone, desfilando com confiança em um macacão branco justo, contornado por linhas vermelhas e azuis, apontando com firmeza enquanto mergulhava na energia de “I Wanna Be the One You Call”.
Boone deu início à sua American Heart Tour com um setlist de 22 músicas no dia 22 de agosto, no Xcel Energy Center, em St. Paul, Minnesota, pronto para provar suas credenciais no pop com acrobacias já registradas como marca própria, um arsenal de músicas carregadas de vulnerabilidade — e tríceps reluzentes.
O show da última sexta-feira, com ingressos esgotados, marcou o início de uma turnê norte-americana com 33 datas — sua primeira turnê completa por arenas — que passará por grandes cidades como Boston, Nova York, Miami, Denver, Las Vegas e Seattle, antes de encerrar com três apresentações esgotadas em Salt Lake City, em outubro.
Embora Boone tenha lançado apenas dois álbuns completos — Fireworks & Rollerblades (2024) e o atual American Heart — ele emergiu da região noroeste dos EUA como um símbolo sexual e, ao mesmo tempo, um artista respeitado entre as multidões de fãs pré-adolescentes e da Geração Z que lotam os locais de seus shows.
Ou seja, sim — há algo magnético nesse jovem de 23 anos, nada convencional, que vira corações (e a si mesmo) com charme e atitude.
Ele é confiante, domina a passarela durante o refrão pegajoso de “Be Someone” e agradece calorosamente o público antes de um vibrante coro coletivo em “Beautiful Things”, seu grande sucesso, quase no fim do show de quase duas horas.
O visual retrô de Boone — com um bigode estilo anos 70, roupas que podem ser descritas como “chique frentista” e quase uma monocelha — também se reflete na sua música.
Seu lento “passeio pelos céus” pendurado em um lustre azul (que balançava perigosamente alto) durante “Mystical Magical” foi ao mesmo tempo um espetáculo visual digno de gritos e uma chance de apreciar a leveza da música, que remete abertamente ao pop vintage.
Em “Mr. Electric Blue” — uma homenagem ao pai e a faixa mais robusta do novo álbum — Boone sorriu enquanto tocava guitarra imaginária, subindo por uma rampa inclinada em direção ao seu piano espelhado. Suas mãos talvez não fossem tão velozes quanto as de um pianista clássico, mas sua postura e roupa chamativa (que deixava os abdominais à mostra) evocaram um jovem Elton John no auge, comandando uma melodia.
Boone também busca referências vocais em Freddie Mercury, do Queen, espalhando sua voz de múltiplas oitavas em músicas como “Man in Me” — cheia de emoção — e na balada delicada ao piano “In the Stars”, apresentada sobre um piano azul, na ponta de uma passarela que se estendia por toda a arena.
“Em algum momento da vida de vocês, essa música vai significar algo”, disse Boone ao público, com um tom quase de orientador escolar, ao falar sobre perdas (a canção foi escrita para sua bisavó falecida).
O ousado design de palco do show permite ao cantor máxima liberdade física, com escadas vermelhas brilhantes nas laterais de um palco circular e plataformas hidráulicas que funcionam como base para as frequentes acrobacias aéreas — provavelmente motivo de preocupação para sua seguradora.
Não há como negar o talento nato de Boone para o entretenimento, evidenciado em “Young American Heart”, quando corações de papel vermelhos, brancos e azuis caíram do teto, e também em cada momento em que ele se inclinava para tocar as mãos dos fãs, aceitava bonés ou acenava com entusiasmo.
Por outro lado, sua inclinação para baladas — incluindo a bem-intencionada “Momma Song” e faixas mais lentas como “Drunk In My Mind” e “Love of Mine” — segue uma cadência parecida, o que pode comprometer o ritmo do show, apesar da carga emocional que carregam.
Quando Boone e sua banda de quatro integrantes mergulham em músicas como “There She Goes” ou dançam pela passarela ao som de “Sugar Sweet”, o dinamismo chega ao máximo — e seu potencial como artista duradouro fica evidente.
Boone talvez não esteja reinventando a música pop, mas é um representante sólido de um pop sincero e emocional. Que ele continue aterrissando com firmeza depois de cada voo.
Fonte: USA Today